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  • Henrique Areias

Yoga Breath Modelling

Atualizado: 22 de mar. de 2021


Costuma-se dizer que o yoga é 99% de prática e 1% de teoria. Num certo sentido isto é verdade mas, como todas as coisas só existem para nós e evoluem em dependência do modo como nos relacionamos com elas, então, esse 1% torna-se extremamente importante.


Neste curto texto vamos abordar o modo de relação que está por detrás do ponto de vista particular do Yoga Breath Modelling, começando por o integrar na filosofia do yoga.


O yoga mobiliza todas as dimensões da existência e pode ser entendido como a filosofia, ciência e arte da realização da nossa natureza divina. Aqui cada um terá o seu próprio entendimento do que será esta natureza divina. Não querendo reduzi-la a algo particular, nesta abordagem, vamos considerá-la como a realidade que gera a vida e todos os existentes num mesmo processo reflexivo/criativo universal.


Yoga quer dizer unir ou juntar, o que, desde logo, implica que haja algo separado. Podemos considerar que se trata da união do mundano com o transcendente, do corpo com a mente e a alma ou, do eu cultural com o eu universal. Na nossa abordagem consideramos que se trata da resolução do sentido de separação, gerado entre o eu consciente e a sabedoria subtil da dinâmica meditativa biológica, que é uma expressão direta e plena da natureza criadora universal. Isto não quer dizer que haja uma separação real, mas um conjunto de fatores que mantêm esse sentido ilusório de separação. Logo, na prática do yoga, vamos dar-nos conta dos mesmos e descobrir a particularidade dessa ilusão, o que abre à sua resolução espontânea ou, integração na dinâmica subtil da existência. Ou seja, no yoga estamos a permitir que a sabedoria da biologia traga a natureza universal da vida à dinâmica do consciente e, com isso, que se complete a integração subtil entre corpo, mente, alma, chakras e a totalidade do universo.


Num sentido mais moderno, o yoga é uma sistematização do percurso evolutivo na base da cultura indiana, que passou por várias fases de “descoberta” da iluminação, entendível como esta união entre o consciente e a natureza última da vida ou, o que chamamos de insight biológico. O yoga é a resolução gerada pela interdependência de oito dimensões que estão continuamente presentes, em todos os momentos, fases e etapas, a abrir os diferentes níveis dos fatores da separação a uma integração cada vez mais subtil, que as vai aprofundando, apurando e expressando a unidade dessa interdependência.


Nós estamos sempre numa dada postura física, com uma atitude mais ou menos ética, a lidar com vários conteúdos, num sentido mais mundano ou espiritual, a respirar e num certo nível de sabedoria da integração e concentração de todas estas componentes. O yoga é o modo de relação que vai operacionalizar todas estas dimensões, no sentido da nossa natureza última se poder expressar plenamente, por isso, implica um treino de cada uma, onde todas as outras estão presentes, a ajudar e em evolução, num caminho que vai apurando as mais subtis e tornando todas na sabedoria da realização.


É a presença contínua de todas estas dimensões e da sabedoria na sua integração interdependente que estabelece o modo de relação do yoga, ou seja, o yoga. Se a nossa prática descurar algumas dimensões e o sentido da sua interdependência será uma espécie de yoga, mas não estará a realizar o yoga. Este caminho mobiliza o mais subtil e implica trazer, com sabedoria, todos os factores da separação à experiência, ou seja, toda a nossa problemática, para que seja entendida e resolvida, logo deve ser assumido de forma cuidada e séria, pois é um processo de transformação que levanta os perigos de um envolvimento complexo com o subtil e com essa problemática.


A primeira dimensão do yoga (yama) passa pelos votos morais que permitem entrar em fase com a natureza última e abrem o devir evolutivo do processo, incluindo: não violência face a todos os seres e a nós próprios, honestidade e verdade, equilíbrio sexual ou castidade, não cobiça, etc.


A segunda dimensão (niyama), implica assumir um conjunto de práticas de auto-disciplina, estudo e entrega espiritual que aprofundam esse devir evolutivo e o tornam numa via espiritual, nomeadamente: purificação do corpo, fala e mente; treino do contentamento e da aceitação dos outros; perseverança e autodisciplina; autorreflexão sobre todas as nossas facetas; estudo de fontes espirituais autênticas; entrega total à natureza do divino e contemplação.


Com estas duas bases, a mente começa a pacificar-se, o yoga está a ocorrer e podemos iniciar a prática das posturas ou asanas. Esta prática é um treino integrador do eu na biologia, onde os fatores problemáticos da separação são suscitados gradualmente e se expressam nos diferentes tipos de dificuldades e padrões (físicos, emocionais e mentais), enquanto vão sendo integrados pela atenção às várias dimensões do yoga. Cada postura e a sequência das mesmas geram um caminho sábio que vai suscitando as dimensões e a problemática de uma forma mais profunda, onde se abre e operacionaliza as várias facetas da integração subtil.


Conforme as dificuldades mais grosseiras vão sendo integradas, a prática das posturas chega a um alinhamento suave e natural do corpo que gera imobilidade e supless mental, abrindo ao devir espontâneo do Yoga, uma evolução contínua da integração na totalidade do corpo/mente, conduzida naturalmente pela respiração, que revela a ilusão da separação e é o princípio do breath modelling.


A respiração é a base do Yoga, pois é a dimensão mais objetiva do devir meditativo da biologia, e está sempre a resolver a relação entre o consciente e a nossa natureza subtil, expressando, ao longo dos vários níveis evolutivos da integração, a interdependência entre o seu movimento, os fatores da separação, a definição do eu/observador nos mesmos e a influência destes no devir resolutivo. Assim, conforme a prática das asanas começa a ser conduzida pela respiração, essa interdependência está a ser resolvida de um modo mais subtil, que vai ser aprofundado através de um treino muito cuidado de pranayama ou, exercícios de respiração realizados numa postura próxima da meditativa.


As outras dimensões do yoga são o percurso meditativo que permite completar o processo de integração, passando pelo afastamento da mente face aos estímulos externos e a imersão no devir interno, pela entrada nas etapas da concentração, que dão lugar ao aprofundamento meditativo e aos níveis do Samadhi ou, união com a integração subtil universal.


 

Para caraterizarmos a particularidade do yoga breath modelling diríamos que, o sentido subtil da realização do yoga passa pelo insight da não dualidade do real, expresso de forma mais convencional como o fim da separação entre o consciente e a natureza última da existência, ou dissolução da ilusão separadora do observador/observado, que traz essa natureza à experiência e ao mundo. Desde o início, é esse insight que está a acontecer, logo é importante que seja bem entendido e oriente as práticas, para que as dimensões do yoga o estejam a realizar.


Assim diríamos que o yoga breath modelling é uma abordagem que assume a continuidade da presença interdependente das dimensões do yoga no sentido desse insight.


Vamos agora abordar alguns tópicos clarificadores deste sentido que podem ser aprofundados na página Insight, Terapia e nomeadamente no livro “Pequenas Mitologias da Criação”.


O processo do consciente é sempre reflexivo/criativo, por isso, de forma mais ou menos sábia, está numa dinâmica de insight. Quando abordamos algo e nos damos conta de dificuldades ou obstáculos estamos a refleti-los no espelho da nossa natureza, dentro de uma dada perspetiva. Daí vêm respostas criativas ou resoluções mais ou menos válidas para o que realmente se passa, que dependem desse modo de abordagem. O insight mais sábio é o da não dualidade, pois a nossa natureza é não dualística, o que se expressa bem nas diferentes ordens e ciclos da biologia. Portanto, quando abordamos algo de forma não dualista estamos a permitir que essa realidade se reflita no espelho límpido da nossa natureza e a resposta tenha essa sabedoria, ou seja, seja uma ideia, sentido, etc. que mobiliza todos os níveis do real e, por isso, integra esse algo na sua dinâmica mais subtil.


O yoga é este levar os assuntos e manifestações à não dualidade, o que implica abordá-los e apreendê-los apropriadamente, deixando-os manifestarem-se tal como estão a surgir, e dar-nos conta dos mesmos sem fixarmos as oposições que se levantam. Isto permite que o ciclo da reflexão e das respostas criativas ganhe a sabedoria da nossa natureza e o consciente vá entrando em fase com a realidade última das coisas. Assim, na simplicidade dos modos de relação e dos conceitos vamos entendendo a realidade tal como é, logo deixa de haver separação e a meditação subtil da biologia age de forma mais plena no consciente e integra tudo espontaneamente.


A biologia (ou a vida) é um processo não dualístico em todos os patamares da sua ordem e ciclos dinâmicos, que geram vários níveis meditativos na totalidade do ser: o microtubular, o celular, conectivo, muscular, etc. Estes níveis integram-se numa grande meditação que é dinamizada, nomeadamente, através do coração e da respiração, no sentido do organismo se manter em fase com as fontes harmónicas mais subtis, que o mantêm vivo, ou seja, de integrar o devir dos chakras. Por outro lado, o consciente está a lidar com as dualidades do mundo, estrutura-se nelas e ativa-as no corpo para estabelecer todos os seus percursos (mentais, emocionais, motores, etc.), que se dão a partir da projeção inconsciente dessas dualidades onde se estabelece a identidade.


A imagem base do yoga breath modelling é-nos dada pelos contributos do coração e da respiração para esta dinâmica meditativa.


O coração é um músculo como os esqueléticos mas, quando se contrai e relaxa, milhares de milhões de células fazem a suas meditações todas ao mesmo tempo. Nesta vibração sincronizada, que mobiliza a circulação sanguínea, está a resolver todos os padrões complexos, que recebe num modo subtil, e a gerar um modelo da integração perfeita, que é o campo base da meditação do organismo, logo, em cada batimento está a fazer um yoga perfeito, é o yogui realizado ou a manifestação do divino na dinâmica muscular, por isso, não se cansa, etc.


A respiração é o batimento cardíaco do corpo que, nesse sentido, é o segundo coração e, realmente, o retorno do sangue depende muito da onda da respiração. A onda da respiração propaga-se no corpo, abrindo-o a um yoga que ajuda os vários níveis da meditação biológica a integrarem-se no do coração, e essa dinâmica subtil é trazida ao nível muscular, logo à projeção do consciente, gerando a meditação prânica, cuja energia é a qualidade da integração subtil a chegar a todos os níveis do ser e a expressar a natureza dos chakras.


No entanto, ao contrário do coração, o corpo não vibra todo em sincronia com a onda da respiração, nomeadamente, no nível conectivo e muscular, está cheio de assimetrias e marcas das dualidades projetadas inconscientemente e reativadas nos percursos do consciente, logo há zonas onde a onda gera essa plena integração e outras onde a resolução é colapsada em vários modos. Assim, ao praticarmos yoga estamos a ajudar este yoga da respiração a trazer a integração subtil a todos os níveis existenciais e, no fundo, estamos a permitir que o corpo se torne realmente um coração.


Assim percebe-se bem porque a respiração é a chave do yoga. A onda da respiração está a abrir-nos à integração subtil e a “mostrar” todas as marcas dualistas que a colapsam de formas mais ou menos harmónicas. Isto ocorre sempre, mas manifesta-se de forma mais grosseira na prática das posturas, que suscitam as dualidades de um modo muito expressivo, onde vamos aprendendo a resolvê-las no devir integrador da respiração, nomeadamente, com a ajuda das outras dimensões do yoga e do sentido do insight. As dualizações e as suas marcas têm muitos níveis e formas de atuar, localmente e na totalidade da experiência, definindo o que chamámos de fatores da dita separação, cuja abordagem implica o nosso sentido de insight, ou seja, o apuramento do treino da não dualidade.


Como vimos, para estarmos nesse treino devemos assumir uma relação equânime face ao que surge, um dar conta que abre à resolução não dualista. Isto, desde logo, passa por entender bem a dualidade e ir utilizando esse sentido em todas as etapas. As dualidades são unidades orgânicas, pois a definição das oposições, diferenças ou polaridades dá-se de forma interdependente. Não é possível definir ou mobilizar um lado sem estar a fazer o mesmo ao outro, então devemos ter atenção ao modo como fazemos isso e que implicações se levantam de ambos os lados. Se tivermos esta atenção estaremos a permitir que eles estejam numa posição de igualdade (equânime) e se reflitam organicamente, gerando resoluções mais não dualísticas, ou seja, a dinâmica do insight.


Por isso, não consideramos o sentido do yoga enquanto união, pois isso implica que há duas coisas a unirem-se ou, uma separação a ser vencida, que é o erro, o mal ou, que já foi ultrapassada, ainda não foi, etc. Se há um sentido de separação ele só é resolvido se esta for entendida não dualisticamente, se entendermos bem a separação não há qualquer separação, de outro modo a união será dualista e ativará sempre separações. Daí o nosso sentido de yoga enquanto uma continuação do processo biológico que traz os patamares da integração subtil ou, não dualista, aos padrões de integração mais ou menos dualista.


Se considerarmos que essa união passa por purificar, então é porque há algo impuro, logo vamos defini-lo de uma forma específica que o separa do puro e querer separar-nos do impuro, assim como ter o sentido de que algo vai ser limpo ou retirado da nossa pura existência e gerar disciplinas mais ou menos autoritárias para assegurar essa troca. No entanto, se fizermos isto estamos numa lógica dualista que reforça certas separações. Ou seja, atribuímos uma inerência maligna ao impuro (e aos impuros) e não o entendemos, continuando separados das suas causas; mas se entendermos o impuro ele resolve-se.


Agora vejamos a situação geral da prática do yoga. Estamos sentados de olhos fechados e damo-nos conta do corpo, do movimento da respiração a fazer o seu yoga, das marcas dualizadoras a serem integradas, a mostrarem-se e a colapsarem a onda da respiração. Temos a noção de estarmos a ver/sentir tudo isso, como se fossem objetos separados face a um observador, mas todo esse conjunto faz parte de nós, e aliás a sensação do eu que observa é gerada a partir das marcas projetadas.


Portanto, aqui intuímos a ilusão da separação e entramos no insight não dualista, entendendo que a união entre o observador e o observado existe desde o início, não é algo que só ocorre no insight final. Não estamos a ver/sentir algo separado, mas a ter uma experiência interna da estrutura de “separação” do eu/outro, que a projeção corporal da identidade estabelece na relação ao exterior. Ao “olharmos” para dentro recriamos essa estrutura e estamos a ver/sentir a projeção dualista, algumas das suas marcas e os efeitos no devir da respiração.


Estamos a ver-nos a nós? Não, não podemos ver-nos a nós. O ver não vê a si! Ou, a integração subtil que somos é não dualista, uma plenitude da interdependência, sem diferenciais, logo é vazia na experiência. Tudo o que estamos a ver/sentir, inclusive a noção do eu é parte da estruturação convencional, a integração parcial, que não contém qualquer separação ou algo de errado, está a mostrar a sua particularidade e a revelar como se constrói, logo ao ser vista e entendida, tal como foi agora, reflete-se no vazio e entra na resolução não dualista.


Agora um objeto particular. Estamos a acompanhar a respiração. No entanto, a noção de observador deriva das estruturas dualistas e, conforme as reforça para se definir e agir, afeta o devir da respiração. Tendo em conta esta interdependência, o que afinal é o devir da respiração, e será possível acompanhá-la? O que vemos/sentimos na respiração, um movimento face a uma travagem, uma mudança na travagem?


Então, o que estamos a fazer? Estamos a vivenciar a interdependência entre as intenções/ações do eu, as estruturas dualistas e o devir resolutivo da respiração. Ou seja, estamos a modelar a respiração e, simultaneamente, a ser modelados por ela. Isto é o breath modelling, o ponto chave do yoga.


Desde logo sabemos que não há qualquer separação entre o eu e a respiração, pois são apenas a integração vazia, mas ambos se definem através das estruturas dualistas em surgimento ou, os ditos fatores da “separação”. A respiração é a mudança cíclica na estrutura e densidade desses fatores, que está a abri-los à integração vazia, enquanto o eu se define e age envolvendo-se nesses fatores, tendendo a reforçá-los, logo reduz a abertura resolutiva. Assim, conforme ajustamos este envolvimento, nomeadamente dando conta dos aspetos relacionais yama e niyama, ao acompanharmos a mudança cíclica, a abertura resolutiva das estruturas, que é a respiração, dá-se de forma mais livre e, ao integrá-las, está a trazer essa sabedoria à projeção inconsciente do eu e ao seu modo ativo de envolvimento, o que permite aprofundar a resolução.


Estas estruturas dualizadoras ou, fatores da separação, etc. não têm nada de errado, nem têm de ser purificadas, controladas, etc., são apenas estruturas da nossa história que ainda não puderam completar a sua integração harmónica subtil. Para que isso ocorra têm de se poder expressar tal como são e ser entendidas na sua particularidade, nomeadamente através dos aspetos relacionais que suscitam. Este expressar deve ser clarificado, pois estas estruturas são padrões virtuais no espaço, não são os enquadramentos, as tensões, os climas, atitudes, emoções, bloqueios, dores, etc. As marcas dualistas são virtuais e geram colapsos na integração subtil que leva aos conteúdos da experiência. O melhor exemplo é a estrutura do observador/observado que surge quando fechamos os olhos.


Os conteúdos expressos na experiência derivam do envolvimento inconsciente e consciente do eu nessas estruturas, e este é outro aspeto chave, pois não estamos a ver as estruturas em si. Os envolvimentos inconscientes derivam dos vários níveis da projeção da identidade, cujas estruturas se foram estabelecendo de forma relativamente fixa e, por isso, recriam conteúdos estruturais (físicos, relacionais, emocionais, etc.) que parecem muito fixos, reais, com a sua própria autonomia ou separação e, por isso, difíceis de resolver; devendo ser abordados pelo dar conta da caraterística relacional que suscitam. Os envolvimentos mais ou menos conscientes geram os conteúdos que estão na zona da transformação ou, do breath modelling, do eu/respiração, cuja integração vai tendo efeitos na totalidade do ser e gradualmente trazendo à transformação as próprias estruturas da projeção da identidade.


Para entendermos bem estas estruturas devemos situá-las no sentido da condição humana (ver página Insight ou Terapia). De forma simplificada diríamos que a natureza última das coisas ou divina está a criar todos os existentes do universo, como que, a partir de uma “zona” ou dimensão subtil do espaço que opera de forma perfeitamente não dualista e, por isso, contêm a integração de todas as interdependências, e ficaríamos eternamente a dizer o que é, pois o não dual, em si, é isso mesmo, não dual, e recomeçamos: o infinito, reflexivo, criativo, indizível… É como um espelho onde se refletem todos os passos da criação (forças, partículas, átomos…) e se geram respostas integradoras, cuja eclosão estabelece as relações não dualistas que definem os novos seres.


Os existentes inorgânicos expressam a sabedoria dessa “zona” colapsando-a em modelos não dualistas muito específicos que se combinam em não dualidades mais subtis e vão expressando cada vez mais todo o potencial reflexivo/criativo dessa zona. Daí a evolução universal surgir como um insight, onde, em certas condições harmónicas, os existentes vão entrando em colapsos mais complexos e sábios.


A vida é a eclosão local da sabedoria total do vazio criador, mas tem de se estruturar dentro das condições geradas pelos colapsos parciais dos outros existentes e, por isso, define-se num diferencial existencial entre a sua natureza última ou, integração subtil, e as estruturações que desenvolveu para lidar com eles. A evolução das espécies foi resolvendo esse diferencial existencial e levando a uma experiência que expressa melhor a sabedoria reflexiva/criativa do vazio no consciente. Com o surgimento do homem essa dinâmica resolutiva última, que se dá conta das estruturas parciais no espelho da natureza última e vivencia a resposta transformadora do condicionamento histórico, passou a estar no consciente. Os outros animais estão neste dar conta reflexivo criativo, dentro das estruturas que desenvolveram, mas o homem pode dar-se conta das mesmas e, por isso, levá-las à não dualidade da integração subtil, completando o percurso evolutivo universal.


Portanto, as estruturações dualistas não são erros ou impurezas na nossa natureza, mas a expressão da história das dificuldades evolutivas do universo que se tornaram o sofrimento da vida. Logo, quando se estão a expressar no ser humano e a ser vistas e entendidas tal como são, as evoluções que as integram não dualisticamente estão a completar o caminho do universo e a resolver a sua história. Este é o insight da sua não dualidade, da alquimia dessa pedra filosofal que surge como o erro e o problema mas, se entendida no que é, resolve o universo na sua simples expressão.


Assim, na simplicidade do dar conta das nossas estruturações dualistas e suas dificuldades está a ser resolvida a história do sofrimento da vida e a do universo. Como essas estruturações, sendo nossas, são essa história e estão a ser subtilmente ativadas no espaço mundial pela atuação de todos nas suas homólogas, então, quando a resolução ocorre em nós, também chega a todos, por isso, no yoga, tudo ocorre em benefício de todos e nem precisa de desenvolver essa intenção para que assim seja.


Este é o entendimento que devemos assumir não dualisticamente na prática do yoga.


Tendo entendido o 1% de teoria estamos já no insight que é a essência da prática.


Então, para a iniciarmos, feche os olhos e primeiro diga - Yoga - deixe-se estar um instante e depois diga - Breath Modelling -.





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